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11 de Novembro: “O dia da luta”

Senhora Prescinda Albino Chicomo, coordenou a exumação dos corpos e foi a primeira mulher de toda Angola a ocupar o cargo de administradora provincial, representando o Bié.

El Minuto | Nesta sexta-feira (11) Angola completa seu 47º aniversário da sua Independência política. 11 de novembro de 1975 foi o dia em que o país declarou a sua emancipação do regime colonial português. A data põe fim à um processo de ocupação e exploração iniciado em 1575, que tinha como principais ações explorar os recursos naturais e promover o tráfico humano (escravatura), que sequestrou entre milhares de seres humanos, o futuro soberano de diversas nações. 

       Por: Luciana Guedes (1) e Alejandro Ramirez (2)

       Colaboração: Joel Barreto (3)

Eteke liuyaki, o dia de luta. Me atrevo a escrever na língua umbundu que resistiu aos 400 anos de colonialidade cosmolínguística portuguesa, e é ainda hoje o idioma mais falado na província do Bié, de onde este texto é redigido.

Para conhecer as memórias reais deste dia, conversamos com uma testemunha do que foi o regime colonial à época da transição política. Ela, além de professora desde o ano de 1960, foi a primeira mulher a ocupar o cargo de administrado municipal em toda Angola, a senhora Prescinda Albino Chicomo.

Senhora Prescinda Albino Chicomo, coordenou a exumação dos corpos e foi a primeira mulher de toda Angola a ocupar o cargo de administradora provincial, representando o Bié.

A senhora Prescinda aos seus 80 anos de idade nos conta lembranças difíceis deste tempo, onde o racismo colonial, retirava a dignidade da maioria da população: “Mesmo com cabelo branco como o meu, uma criancinha branca te dava um pontapé e você não podia falar nada. O negro não era muito considerado como somos agora. Nós respeitamos todas as raças no nosso país, mas naquele tempo não era assim. ”, recorda. E continua a me contar: “Também lembro do curso de professores, éramos muitos. Haviam 8 mestiços. O inspetor, quando recebeu a minha prova me perguntou se eu já era professora, e eu disse que sim, que era professora da missão, mas eu queria ser do Estado. Mas como havia um mestiço que tinha nota zero, a minha nota teve que passar para ele poder ser aprovado. Fui para a casa, mas não fiquei insatisfeita. Porque no ano seguinte ainda tornei a concorrer. Neste ano não havia hipótese de me reprovar porque fiquei com 20 (a nota máxima). ”

Histórico

O processo de independência de Angola foi turbulento e tardio assim como todos os territórios que Portugal ocupou na investida colonialista em África. Auto intitulado como Império Colonial, este realizava o domínio coercitivo cultural, mas sobretudo econômico dos territórios designados como Províncias Ultramarinas.

Após a Segunda Guerra Mundial, com a constituição de 1933 e a incorporação do Acto Colonial, a metrópole reforçou o regime e acentua a discriminação racial, na contramão do movimento geopolítico da época. Nesta altura, Angola e os outros países colonizados, como Cabo Verde, Guiné Bissau e Moçambique forneciam os principais recursos econômicos para a ditadura de Salazar.

As duras memórias desta época relatam que para explorar essas riquezas o regime colonial utilizava sobretudo o trabalhado forçado, e mesmo os que tinham algum tipo de pagamento, viviam condições análogos aos tempos de escravidão. O regime, assim como ditava a prática colonialista forjada na península ibérica tinha um recorte racista, vide a criação do Estatuto do Indígena em Angola:

Art. 2º Consideram-se indígenas das referidas províncias os indivíduos de raça negra ou seus descendentes que, tendo nascido ou vivendo habitualmente nelas, não possuam ainda a ilustração e os hábitos individuais e sociais pressupostos para a integral aplicação do direito público e privado dos cidadãos portugueses.

Aqui o dia 11 amanheceu sem energia no bairro do centro da cidade do Cuito, a capital provincial. O que traz muitas dúvidas sobre as contradições que este país vive, tendo em conta sua posição de destaque como produtor da indústria de combustíveis fósseis.

Para o Ministro de Estado para Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, é tempo de o continente africano começar a “olhar para dentro” para poder reduzir a atual dependência das grandes potências internacionais. A declaração foi feita na última reunião de ministros da Organização dos Países Produtores de Petróleo (APPO), realizada na última sexta-feira (4/11), em Luanda. A declaração nos aponta sintomas de novas formas de performance colonial sobre África.

Memória Afetiva

Trabalhar com memórias de guerra é um caminho aos afetos e lamentos das pessoas, sentimentos que desconhecemos como pesquisadoras, mas que ainda assim nos trazem incômodo. Pergunto à senhora Prescinda onde ela estava no dia 11 de novembro daquele 1975, e ela me relata que em uma viagem de 3 dias e 3 noites em de regresso de sua província natal, onde poderia reunir-se outra vez com sua família.

“Quando ouvimos a propaganda do outro lado, que quem tivesse que a independência a passar no município que não é dele, nunca mais ia ver família, nós nos pusemos a caminhar!”

Neste caso, “o outro lado” já não era mais o império colonial, como de outrora, eram os próprios compatriotas, que integraram o mesmo movimento nacionalista angolano, e que agora se dividiriam pela disputa interna do país.

Os próximos episódios serão a continuação de memórias de batalhas, infinitas batalhas que hoje já não existem mais. Nosso resgate à este passado acontece mesmo aqui, no Cuito. Estamos sob a principal bacia hidrográfica de Angola, que abriga a nascente de majestoso rio Kwanza, em uma planície com cerca de 72.000km² em forma de coração localizada na região cardíaca deste país.

 

1- Académico da Escola de Jornalismo, Universidade Internacional do Cuanza (Kuito, Angola)

2- Académico da Escola de Línguas, Universidade Internacional do Cuanza (Kuito, Angola)

3- Académico da Escola de Gestão e Administração de Empresas, Universidade Internacional do Cuanza (Kuito, Angola).

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